quarta-feira, 26 de setembro de 2012

À conversa com um Lobijovem #1

- Olá Lobijovem, tudo bem?
- Epá, não muito bem.
- Então, que aconteceu?
- Ontem no bar engatei uma jovem linda.
- Mas isso é muito bom, és jovem e tal!
- Pois, mas o pior foi quando me levou para o carro.
- Não me digas que tinha um revólver no porta luvas para te assaltar?
- Não, nada disso. O que se passou foi o seguinte, entrámos no carro dela e começamos com carícias, troca de olhares, depois ela mete a descoberto o ombro esquerdo, era o que estava mais perto e começo a ficar excitado pá...
- Conta, conta!
- Dou-lhe um beijinho no ombro, passo a mão por ali acima e deixo-a na sua face, que suave...
- E beijaste-a como nunca antes?
- Epá ya, foi bué intenso, o problema foi depois...
- Não me digas que era um transsexual?
- Não, não, se fosse dava logo com o cheiro. Como disse anteriormente, tinha a minha mão na face dela, e depois do beijo ela abre a camisa e mete uma mamoca de fora.
- Por falar em mamocas, já foste ver o novo remake do filme "Total Recall?"
- Epá não, porquê?
- Ouvi dizer que vai ter outra personagem com três mamocas e mais atraente que a outra.
- Isso é mesmo à frente, depois vejo.
- Mas tipo, ela ter mostrado uma mamoca é uma cena brutal!
- Pois, foi mesmo brutal, é que assim que ela mete a mamoca de fora eu excito-me de tal maneira que as minhas unhas enterraram-se no seu crânio...morreu logo.
- Haaaaa...

Lágrima Perdida

O sentido do norte ouve a máquina e dentro dela numa carruagem encontra-se uma Sombra, esta ouve uma campainha de bicicleta e vê um sorriso de uma criança. Algo passa-lhe no pensamento mas não consegue decifrar o quê, algo ofuscante como se de um acordar se tratasse.
A besta ruge agora e a energia que move as rodas do comboio produz um som semelhante ao seu batimento cardíaco, o som do desejo como um pêndulo de relógio dourado, suave como os seus lábios. Alguém a espera e uma brisa diz-lhe algo que a  deixa confusa fazendo sentir-se presa pelas correntes de ar que começam agora a confrontá-la, como pancadas secas no peito, mas ela não desiste, quer saber o porquê.
A campainha toca uma e mais uma vez e o céu outrora límpido começava agora a perder os sentidos e a tornar-se tenebroso fazendo com que o elemento se aproximasse dela, um furacão fazendo desaparecer tudo no seu caminho. A criança surge com um sorriso de inocência, mas a imagem torna-se rapidamente desfigurada, como uma tela de picasso triste e abstracto perdido numa cave de marfim.
O momento que os junta está agora presente a meio caminho, o Vento puxa a Sombra para si e diz-lhe que não a pode ter pois ela partiu, desacreditada olha para o Vento olhos nos olhos e pede-lhe para a ver, está incrédula.

Um feixe de luz solar ilumina a Sombra mostrando ao Vento o seu rosto, tons de fruta doce e límpida com pequenas partículas de recordações transformadas em lágrimas. A criança abraça o Vento e este despede-se com um grande sopro que a faz apanhar o rumo certo em direcção à luz, a luz de uma vida que deixou de existir.