Caminho pela estrada escura e fria enquanto o mundo gira, o desvio é incerto como as palavras que sussurram pelos sonhos. O passeio torna-se agora claro como o calor que sai da minha boca.
O oceano esconde-se cá dentro e teima em não sair, deixem-me navegar...
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
domingo, 30 de setembro de 2012
Doce Rebuçado
A agonia deixa-me o sangue a ferver, impulsionado pela má gestão de sentimentos que se perdem agora na vastidão do negro, do frio, da alma. Sinto-me invadido pela influência da tua sombra, pela crueldade dos mortais, pela ansiedade dos fracos em tentarem curar a ressaca da vida. Quero libertar-me de ti, quero sentir a bondade do humilde, do justo, da liberdade, não quero ser o teu doce prisioneiro.
Deixa-me sair, tira-me as algemas ferrugentas destas mãos gastas, das pernas já comidas pela imundice que cheiram a putrificado, esse teu combustível tão desejado que não trocas por nada reflecte neste teu covil miserável fomentado pelo desespero.
Cicatrizes de um moribundo que já carece de forças, inapto para voltar ao mundo vê-se agora nas portas do teu corredor esperando pelo pior, o arrependimento fecha-lhe os olhos pela última vez recordando memórias de um espaço outrora conquistado. O panda perneta aproxima-se roçando pela ultima vez o seu lombo recheado de vermes, lançando-lhe um olhar de carinho e saudade, mas agora velho e gasto parte para o forno da sua cumplicidade.
O fumo de uma alma cremada intensifica-se naquele espaço, um incenso de corrupção e lealdade, quem me dera que tivesse sido eu...
Deixa-me sair, tira-me as algemas ferrugentas destas mãos gastas, das pernas já comidas pela imundice que cheiram a putrificado, esse teu combustível tão desejado que não trocas por nada reflecte neste teu covil miserável fomentado pelo desespero.
Cicatrizes de um moribundo que já carece de forças, inapto para voltar ao mundo vê-se agora nas portas do teu corredor esperando pelo pior, o arrependimento fecha-lhe os olhos pela última vez recordando memórias de um espaço outrora conquistado. O panda perneta aproxima-se roçando pela ultima vez o seu lombo recheado de vermes, lançando-lhe um olhar de carinho e saudade, mas agora velho e gasto parte para o forno da sua cumplicidade.
O fumo de uma alma cremada intensifica-se naquele espaço, um incenso de corrupção e lealdade, quem me dera que tivesse sido eu...
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
À conversa com um Lobijovem #1
- Olá Lobijovem, tudo bem?
- Epá, não muito bem.
- Então, que aconteceu?
- Ontem no bar engatei uma jovem linda.
- Mas isso é muito bom, és jovem e tal!
- Pois, mas o pior foi quando me levou para o carro.
- Não me digas que tinha um revólver no porta luvas para te assaltar?
- Não, nada disso. O que se passou foi o seguinte, entrámos no carro dela e começamos com carícias, troca de olhares, depois ela mete a descoberto o ombro esquerdo, era o que estava mais perto e começo a ficar excitado pá...
- Conta, conta!
- Dou-lhe um beijinho no ombro, passo a mão por ali acima e deixo-a na sua face, que suave...
- E beijaste-a como nunca antes?
- Epá ya, foi bué intenso, o problema foi depois...
- Não me digas que era um transsexual?
- Não, não, se fosse dava logo com o cheiro. Como disse anteriormente, tinha a minha mão na face dela, e depois do beijo ela abre a camisa e mete uma mamoca de fora.
- Por falar em mamocas, já foste ver o novo remake do filme "Total Recall?"
- Epá não, porquê?
- Ouvi dizer que vai ter outra personagem com três mamocas e mais atraente que a outra.
- Isso é mesmo à frente, depois vejo.
- Mas tipo, ela ter mostrado uma mamoca é uma cena brutal!
- Pois, foi mesmo brutal, é que assim que ela mete a mamoca de fora eu excito-me de tal maneira que as minhas unhas enterraram-se no seu crânio...morreu logo.
- Haaaaa...
- Epá, não muito bem.
- Então, que aconteceu?
- Ontem no bar engatei uma jovem linda.
- Mas isso é muito bom, és jovem e tal!
- Pois, mas o pior foi quando me levou para o carro.
- Não me digas que tinha um revólver no porta luvas para te assaltar?
- Não, nada disso. O que se passou foi o seguinte, entrámos no carro dela e começamos com carícias, troca de olhares, depois ela mete a descoberto o ombro esquerdo, era o que estava mais perto e começo a ficar excitado pá...
- Conta, conta!
- Dou-lhe um beijinho no ombro, passo a mão por ali acima e deixo-a na sua face, que suave...
- E beijaste-a como nunca antes?
- Epá ya, foi bué intenso, o problema foi depois...
- Não me digas que era um transsexual?
- Não, não, se fosse dava logo com o cheiro. Como disse anteriormente, tinha a minha mão na face dela, e depois do beijo ela abre a camisa e mete uma mamoca de fora.
- Por falar em mamocas, já foste ver o novo remake do filme "Total Recall?"
- Epá não, porquê?
- Ouvi dizer que vai ter outra personagem com três mamocas e mais atraente que a outra.
- Isso é mesmo à frente, depois vejo.
- Mas tipo, ela ter mostrado uma mamoca é uma cena brutal!
- Pois, foi mesmo brutal, é que assim que ela mete a mamoca de fora eu excito-me de tal maneira que as minhas unhas enterraram-se no seu crânio...morreu logo.
- Haaaaa...
Lágrima Perdida
O sentido do norte ouve a máquina e dentro dela numa carruagem encontra-se uma Sombra, esta ouve uma campainha de bicicleta e vê um sorriso de uma criança. Algo passa-lhe no pensamento mas não consegue decifrar o quê, algo ofuscante como se de um acordar se tratasse.
A besta ruge agora e a energia que move as rodas do comboio produz um som semelhante ao seu batimento cardíaco, o som do desejo como um pêndulo de relógio dourado, suave como os seus lábios. Alguém a espera e uma brisa diz-lhe algo que a deixa confusa fazendo sentir-se presa pelas correntes de ar que começam agora a confrontá-la, como pancadas secas no peito, mas ela não desiste, quer saber o porquê.
A campainha toca uma e mais uma vez e o céu outrora límpido começava agora a perder os sentidos e a tornar-se tenebroso fazendo com que o elemento se aproximasse dela, um furacão fazendo desaparecer tudo no seu caminho. A criança surge com um sorriso de inocência, mas a imagem torna-se rapidamente desfigurada, como uma tela de picasso triste e abstracto perdido numa cave de marfim.
O momento que os junta está agora presente a meio caminho, o Vento puxa a Sombra para si e diz-lhe que não a pode ter pois ela partiu, desacreditada olha para o Vento olhos nos olhos e pede-lhe para a ver, está incrédula.
Um feixe de luz solar ilumina a Sombra mostrando ao Vento o seu rosto, tons de fruta doce e límpida com pequenas partículas de recordações transformadas em lágrimas. A criança abraça o Vento e este despede-se com um grande sopro que a faz apanhar o rumo certo em direcção à luz, a luz de uma vida que deixou de existir.
A besta ruge agora e a energia que move as rodas do comboio produz um som semelhante ao seu batimento cardíaco, o som do desejo como um pêndulo de relógio dourado, suave como os seus lábios. Alguém a espera e uma brisa diz-lhe algo que a deixa confusa fazendo sentir-se presa pelas correntes de ar que começam agora a confrontá-la, como pancadas secas no peito, mas ela não desiste, quer saber o porquê.
A campainha toca uma e mais uma vez e o céu outrora límpido começava agora a perder os sentidos e a tornar-se tenebroso fazendo com que o elemento se aproximasse dela, um furacão fazendo desaparecer tudo no seu caminho. A criança surge com um sorriso de inocência, mas a imagem torna-se rapidamente desfigurada, como uma tela de picasso triste e abstracto perdido numa cave de marfim.
O momento que os junta está agora presente a meio caminho, o Vento puxa a Sombra para si e diz-lhe que não a pode ter pois ela partiu, desacreditada olha para o Vento olhos nos olhos e pede-lhe para a ver, está incrédula.
Um feixe de luz solar ilumina a Sombra mostrando ao Vento o seu rosto, tons de fruta doce e límpida com pequenas partículas de recordações transformadas em lágrimas. A criança abraça o Vento e este despede-se com um grande sopro que a faz apanhar o rumo certo em direcção à luz, a luz de uma vida que deixou de existir.
domingo, 23 de setembro de 2012
domingo, 16 de setembro de 2012
Dura
É a mensagem dos indignados, revoltados, pobres, fartos de papiros enfeitiçados com tinta nova que se deixam levar pela escrita antiga, a escrita da vergonha que passam dia após dia lambendo os selos e colando as cartas da mentira, da corrupção, da mecânica estruturada que parece não ter fim à vista.
O Trol da oposição que tenta dar um jeitinho para lamber o chocolate que resta do fundo, um tacho com medida mas sem peso, o fundo imaginário do espaço que ocupamos neste pequeno universo, agora paralelo.
O Banana ganha asas e explora tudo à sua volta, levando consigo um cheiro fresco que enfeitiça os pobrezinhos e vira-os uns contra os outros, revoltados, magros...
A Cobaia é sempre a mesma que é exposta como um pedaço de carne num mercado negro, livre de impostos ou controlo da ASAE.
As memórias gordas ficaram para trás longe de todos, longe de tudo fechadas num cofre imaginário de um qualquer duende mágico. Pintam as paredes de cor negra, pálidos vestidos de figuras que são a sombra do país.
- Olá, eu sou o karma, estou confiante de que nos vamos entender a bom ritmo.
O stress paira na cabeça ao som de palavras em tom tranquilo, mas sem suor, sem lágrimas?
- Sintam a paz tranquila da minha consciência.
Dormes pouco com muito, nós não. Literalmente, ninguém te ouve...
O Trol da oposição que tenta dar um jeitinho para lamber o chocolate que resta do fundo, um tacho com medida mas sem peso, o fundo imaginário do espaço que ocupamos neste pequeno universo, agora paralelo.
O Banana ganha asas e explora tudo à sua volta, levando consigo um cheiro fresco que enfeitiça os pobrezinhos e vira-os uns contra os outros, revoltados, magros...
A Cobaia é sempre a mesma que é exposta como um pedaço de carne num mercado negro, livre de impostos ou controlo da ASAE.
As memórias gordas ficaram para trás longe de todos, longe de tudo fechadas num cofre imaginário de um qualquer duende mágico. Pintam as paredes de cor negra, pálidos vestidos de figuras que são a sombra do país.
- Olá, eu sou o karma, estou confiante de que nos vamos entender a bom ritmo.
O stress paira na cabeça ao som de palavras em tom tranquilo, mas sem suor, sem lágrimas?
- Sintam a paz tranquila da minha consciência.
Dormes pouco com muito, nós não. Literalmente, ninguém te ouve...
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
No Jarro
Drop drop, caem gotas na poça da lama que se alastra pela cidade como zumbidos inalterados, os ferros erguidos suportam tudo mas tudo é insuportável e as vozes, os sussurros, as mantas, camadas de massa furtiva invadem as lajes.
O baloiço ruge com o peso da inocência resguardado por um chapéu sem cor, colado para sempre à espera que os elementos da vida o desgastem. A caneta que perdeu a tinta dá agora refúgio à cigarra, sedenta de enredos e respostas lá vai tocando a sua música, monótona, triste, um profundo eco estático.
Ding dong, espalhada por aí o seu toque aquece até os mais gélidos pensamentos, quando acompanhados pelas caras metades. O milho é mais que muito, diz o galo emproado de crista branca, velho e gasto.
A luz está verde e não é dos semáforos, mas sim dos vermes que percorrem as estradas de terra à procura de refúgio, os Melros invadem os céus de olhos em bico...mas que percebo eu de aves, o pé continua inchado.
A brisa da rainha chega à porta da colmeia e todos a aguardam no interior, uma nova era de produção em massa arrasa a concorrência, estranho seria o bezerro sem asas com um fato inapropriado e brincos de marfim, que caralhada.
O teste do amor, que merda é essa que tanto brilha no escuro? Pirilampo inalterado escorre pelo fundo partido espalhando o líquido florescente, é radioativo foda-se.
O baloiço ruge com o peso da inocência resguardado por um chapéu sem cor, colado para sempre à espera que os elementos da vida o desgastem. A caneta que perdeu a tinta dá agora refúgio à cigarra, sedenta de enredos e respostas lá vai tocando a sua música, monótona, triste, um profundo eco estático.
Ding dong, espalhada por aí o seu toque aquece até os mais gélidos pensamentos, quando acompanhados pelas caras metades. O milho é mais que muito, diz o galo emproado de crista branca, velho e gasto.
A luz está verde e não é dos semáforos, mas sim dos vermes que percorrem as estradas de terra à procura de refúgio, os Melros invadem os céus de olhos em bico...mas que percebo eu de aves, o pé continua inchado.
A brisa da rainha chega à porta da colmeia e todos a aguardam no interior, uma nova era de produção em massa arrasa a concorrência, estranho seria o bezerro sem asas com um fato inapropriado e brincos de marfim, que caralhada.
O teste do amor, que merda é essa que tanto brilha no escuro? Pirilampo inalterado escorre pelo fundo partido espalhando o líquido florescente, é radioativo foda-se.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Por um Fio
Beata sucumbida de um rosto inacabado separa o fumo da carne seca e escura, mas a flor persiste no palco da peça triste com que se debate. Espreitem lá fora o ambiente quente que recruta os homens e o amor, esse vai com a flora revestida de ditos obscenos a cada língua que passa cheia de secura, implorando por água.
O direito à vida esconde-se por um fio, mas a ajuda tem um som distinto que só ele pode ouvir. O Amolador usa a sua Flauta de pã e provoca os céus com a melodia que irrita os Deuses mas que adormece a flor, como uma anestesia.
Como o cair de cada minuto numa hora de aflição o céu começa a libertar a sua fúria provocada e relâmpagos imortais, seguem o Amolador que insiste nas suas notas de mel, e uma pinga de água, e outra, e outra, tocam na pequena flor, protegendo-a até à extinção do perigo.
Muitos perguntam porque foi ela poupada, lá ninguém sabe, nem o Moleiro sabe, nem vocês sabem, e os Deuses...esses ainda hoje olham para a Flauta de pã que os irritou, esperando ainda queimá-la numa tempestade odiosa, a bom proveito.
Mas eu sei...
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Vento
Cantas sem dentes e sopras sem língua, por mais abismado que pareça, tu persegues o que desejas. Filas de classes sociais puxam por ti, espremem-te, sufocam-te, arrastam-te.
Todos te são estranhos e ainda assim levas com eles, transformam-te, moldam-te, usam-te como lhes convêm. Por mais um punhado de caracteres eles desenham-te o destino, esse alvo pouco convencional e bastante domesticado.
Exige uma depuração de ti, do que te rodeia, do que te consome. Diz " BASTA " e liberta-te dessas toxinas uma vez mais.
Todos te são estranhos e ainda assim levas com eles, transformam-te, moldam-te, usam-te como lhes convêm. Por mais um punhado de caracteres eles desenham-te o destino, esse alvo pouco convencional e bastante domesticado.
Exige uma depuração de ti, do que te rodeia, do que te consome. Diz " BASTA " e liberta-te dessas toxinas uma vez mais.
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